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domingo, 23 de junho de 2013

A SOCIEDADE CIVIL EM GRAMSCI

Universidade Estadual do Rio Grande do Sul


Controle Social

Docente:  Drª. Martha M. Wankler Hoppe
Discente: Alexandre Derli de Araújo Silva



O CONCEITO DE SOCIEDADE CIVIL
Norberto Bobbio


RESENHA: A sociedade civil em Gramsci
Por: Alexandre Derli de Araujo Silva


Segundo Norberto Bobbio, para Gramsci a sociedade civil é um momento da superestrutura ideológico-política, ou seja: Estrutura + superestrutura + sociedade civil + Estado, e não como em Marx, da base real (Estrutura)! Além disso, Gramsci não sabia  distinguir sociedade política e sociedade civil, respectivamente.  Nesse ensaio Bobbio ressalta que no idealismo, a realidade é uma idéia ou espírito; e no materialismo, a realidade é matéria ou natureza. Mais ainda, Marx tinha uma concepção “dialética dicotômica” da realidade.  Gramsci também aplicava distinção entre “guerra de movimento e guerra de posição” á teoria da revolução – destinge entre os estados mais avançados, “onde a ‘sociedade civil tornou-se uma estrutura muito complexa e resistente às irrupções catastróficas do elemento econômico imediato; (crises, depressões, etc.)’” e onde “o Estado era apenas uma trincheira avançada por trás da qual estava uma robusta cadeia de fortalezas e casamatas”, por um lado e, por outro, o Estado dos países orientais, “onde o Estado era tudo e a sociedade civil era primitiva e gelatinosa”. Ou seja, “sociedade civil é intermediária entre base econômica e instituições políticas”. Salienta-se que a reavaliação da sociedade civil não é o que liga Gramsci a Marx, mas precisamente o que o distingue dele.  Na seqüência, segundo  Hegel, Estado ou sociedade política é produto da razão. Em última análise o Estado é resultante também da conservação e superação, ou seja, é um momento novo, pois nessa visão o Estado contém a sociedade civil. Por sua vez, Gramsci enfatiza que “o Estado não é um fim em si mesmo”, mas um aparelho, um instrumento; é o representante não de interesses universais, mas particulares; não é uma entidade superposta à sociedade subjacente, mas é condicionado por essa e, portanto, a essa subordinado; não é uma instituição permanente, mas transitória, destinada a desaparecer com a transformação da sociedade que lhe é subjacente. (Estado instrumental, particular, subordinado, transitório); traços originais de Gramsci em seus cadernos! O conceito chave para a reconstrução do pensamento político de Gramsci é o conceito de “sociedade civil, e não o conceito de Estado”; (Gramsci é o primeiro escritor marxista que, em sua análise da sociedade, serve-se do conceito de sociedade civil). Pois visto que, para os “justanaturalistas”, societas civilis é a sociedade política (Estado); Rosseau denominava etat civil (Estado). Entretanto Hegel e Marx compartilhavam a antítese: sociedade civil é diferente da sociedade política, em contraposição aos justanaturalistas já referenciados (estado de natureza é diferente de estado civil). Mas a idéia de um estágio pré-estatal da humanidade permeia a ambas. “Sociedade pré-política – HEGEL – sociedade primitiva ADAM FERGUSON – civilized society – ADAM SMITH – não bárbaro (adjetivo)”. Logo, a sociedade civil torna-se um dos elementos do sistema conceitual marx-engelsiano, desde os estudos juvenis de Marx, até os escritos mais tardios de Engels.  “O Estado, a ordem política, é o elemento subordinado, enquanto a sociedade civil, o reino das relações econômicas, é o elemento decisivo”. Consequentemente corolários da dialética estrutura superestrutura.


“De forma finalíssima, Gramsci em sua análise da configuração do Estado admite que, sua forma de ação se dá pela forma repressiva (sociedade política), bem como, pela socialização dos campos da Política e da construção de espaços de consenso (sociedade civil). Gramsci compartilha conosco através de sua ótica peculiar e grandemente diferenciada, uma visão de Estado capitalista onde, as possibilidades de tencionamento das populações subjacentes tendo em vista o reconhecimento do espaço atinente a sociedade civil ad hoc efetivamente se materializam. Ou seja, é o lócus de tencionamento entre múltiplas “teses e antíteses”. Porque, esses fatos sociais representam em última instância a disputa cabal entre capital e trabalho (não necessariamente nessa ordem), bem como também dizem respeito às conseqüências amalgamadas advindas deste embate!”.



1 de maio de 2013

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