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domingo, 23 de junho de 2013

LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA: O LÍDER





 
 LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA: O LÍDER 
Por:  Alexandre Derli de Araujo Silva



 Administração / Setor Público – 2º Semestre - UERGS - Unidade POA

Psicologia organizacional

Docente: DRª. Martha M. Wankler Hoppe

 07 de Junho 2011


INTRODUÇÃO:

Após quase trinta anos sem eleições diretas para Presidente da República, os brasileiros puderam votar e escolher um, entre os 22 candidatos que faziam oposição ao atual presidente José Sarney. Era novembro de 1989. Após uma campanha agitada, com trocas de acusações e muitas promessas, Fernando Collor de Mello venceu seu principal adversário, Luiz Inácio Lula da Silva. Collor conquistou a simpatia de 42% da população (que o elegeu). Seu discurso era de modernização e sua própria imagem validou a idéia de renovação. Collor era jovem, bonito e prometia acabar com os chamados “marajás”, funcionários públicos com altos salários, que só oneravam a administração pública. Surgiram vária denúncias de corrupção no governo Collor, envolvendo ministros, amigos pessoais e até mesmo a primeira dama, Rosane Collor. Paulo César Farias, ex-tesoureiro da campanha e amigo do presidente, foi acusado de tráfico de influência, lavagem e desvio de dinheiro.A população, já insatisfeita com a crise econômica e social, revoltou-se contra o governo.Foi instalada uma CPI(Comissão Parlamentar de Inquérito), a fim de investigar a participação de Collor no esquema chefiado por PC Farias. Num ato desesperado para salvar seu mandato, Collor fez um discurso em rede nacional e pediu para que os brasileiros fossem às ruas, vestidos de verde e amarelo, em gesto de apoio ao presidente. Realmente, o povo foi às ruas, mas vestido de preto e exigindo o impeachment de Collor. No dia 29 de setembro de 1992 a Câmara dos Deputados se reuniu para votar o impeachment do presidente. Foram 441 votos a favor e somente 38 contra. Era o fim do “caçador de marajás”. No lugar de Collor, assumiu o vice-presidente, Itamar Franco. O Brasil vivia um dos momentos mais difíceis de sua história: recessão prolongada, inflação aguda e crônica, desemprego, etc. Em meio a todos esses problemas e o recém impeachment de Collor de Mello, os brasileiros se encontravam em uma situação de descrença geral nas instituições e de baixa auto-estima. No governo de Itamar Franco foi elaborado o mais bem sucedido plano de controle inflacionário da Nova República: O plano Real. Montado pelo seu Ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso. O plano Real foi eficiente, já que proporcionou o aumento do poder de compra dos brasileiros e o controle da inflação. Mesmo tendo sofrido as conseqüências das investigações da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Congresso Nacional, entre 1993 e 1994, em virtude de denúncias de irregularidades no desenvolvimento do orçamento da União, Itamar Franco terminou seu mandato com um grande índice de popularidade. Uma prova disso foi o seu bem sucedido apoio a Fernando Henrique Cardoso na sucessão presidencial. Após o sucesso do plano real, Fernando Henrique Cardoso foi eleito Presidente do Brasil já no primeiro turno com larga escala de votos e tomou posse no dia 1º de Janeiro de 1995, sendo reeleito em 1998. A política de estabilidade e da continuidade do Plano Real foi o principal apelo da campanha eleitoral de Fernando Henrique Cardoso e um dos fatores decisivos para sua reeleição em 1998, sendo reeleito no primeiro turno. FHC conseguiu sua eleição graças ao apoio do PSDB, do PFL, do Partido Progressista brasileiro e de parte do PMDB, e conseguiu manter uma estabilidade política durante seus oito anos de governo. No primeiro mandato FHC conseguiu aprovação da emenda constitucional que criou a reeleição para cargos executivos. O governo de Fernando Henrique Cardoso foi marcado pela privatização de empresas estatais. No início do segundo mandato de FHC houve uma forte desvalorização do real, devido a crises financeiras internacionais (Rússia, México e Ásia). Além disso, a crise econômica mundial provocada pelos atentados ao Word Trade Center e ao Pentágono, em setembro de 2001 com reflexos inclusive no Brasil, o levaram a enfrentar a maior crise financeira da história, além de  aumentar os juros reais e aumentar a dívida interna brasileira. Tudo isso, aliado a quebra da Argentina e do Uruguai, parceiros do Brasil no Mercosul. Também no governo de FHC entrou em vigor a lei de responsabilidade fiscal (LRF), que se caracterizava pelo rigor exigido na execução do orçamento publico que limitava o orçamento dos estados e municípios, bem como os gastos com o funcionalismo público. Além disso, os salários dos funcionários públicos também não tiveram reajustes significativos, uma forma de evitar a inflação e controlar os gastos públicos. “O governo de Fernando Henrique Cardoso teve fim no dia 1º de Janeiro de 2003, com a posse de Luiz Inácio Lula da Silva”. Sincronicamente ao cenário exposto, o aumento do “circulo vicioso de angústia” das classes menos favorecidas torna-se inevitável. Por esse motivo em particular, a abordagem da temática escolhida, bem como a abordagem do ente protagonista escolhido é, de modo consensual na ótica do nosso grupo, importantíssima para agregar conhecimento aos futuros “Administradores Públicos” Lato sensu. Luiz Inácio Lula da Silva, expoente da esquerda e das classes menos favorecidas chega ao poder para tentar corresponder as expectativas da população como um todo, pois, ele se identifica com essa população e a recíproca é verdadeira. A ocorrência desse fenômeno, a incógnita desencadeada por ele em todos os aspectos atinentes, e em todas as camadas da sociedade brasileira, a nosso ver, justifica a escolha do personagem Luiz Inácio Lula da Silva.

DADOS BIOGRÁFICOS:

Luiz Inácio Lula da Silva nasceu em 27 de outubro de 1945, no então distrito de em Garanhuns, Pernambuco. É o sétimo dos oito filhos de Aristides Inácio da Silva e Eurídice Ferreira de Mello, carinhosamente chamada de “dona Lindu”. Em dezembro de 1952, “dona Lindu”, juntamente com os filhos, migrou para o litoral paulista viajando treze dias num caminhão “pau-de-arara”. Foi morar em Vicente de Carvalho, bairro pobre de Guarujá. Lula foi alfabetizado no Grupo Escolar Marcílio Dias e completou o ensino fundamental. Em 1956, mudou-se para São Paulo e foram morar em um único cômodo, nos fundos de um bar, no bairro do Ipiranga. Aos 12 anos de idade, Lula conseguiu o primeiro emprego, em uma tinturaria. Depois, foi engraxate e “office-boy”. Com 14 anos começou a trabalhar nos Armazéns gerais Columbia, onde teve a carteira de trabalho assinada pela primeira vez. Transferiu-se mais tarde para a fabrica de parafusos Marte e conseguiu vaga no curso de torneiro mecânico do Senai – Serviço nacional da Indústria. Os estudos duraram três anos e lula tornou-se metalúrgico.

A crise após o golpe militar de 1964 levou Lula a mudar de emprego passando por várias fábricas até ingressar nas indústrias Villares, uma das principais metalúrgicas do país localizadas em São Bernardo do Campo, no ABC paulista. Trabalhando na Villares, Lula começou a ter contato com o movimento sindical através de seu irmão, José Ferreira da Silva, mais conhecido como “Frei Chico”. Em 1969, o Sindicato dos metalúrgicos de São Bernardo do campo e Diadema fez eleição para escolher a nova diretoria e Lula foi eleito suplente. Na eleição seguinte, em 1972, tornou-se primeiro-secretário. Em 1975, foi eleito presidente do sindicato com 92% dos votos e aí já representava 100 mil trabalhadores. Lula deu novo rumo ao movimento sindical brasileiro. Em 1978, foi reeleito presidente do sindicato (98% dos votos) e, após 10 anos sem greves operárias - em razão do regime opressivo em vigor-, ocorreram no país às primeiras paralisações. Em março de 1979, 170 mil metalúrgicos pararam o ABC paulista. O carismático dirigente liberou então memoráveis assembléias no estádio de Vila Euclides, cujos participantes não se intimidaram diante do aparato policial.

A repressão ao movimento grevista e a quase inexistência de políticos que representassem os interesses dos trabalhadores no congresso nacional fez com que Lula pensasse pela primeira vez em criar um partido de trabalhadores. Por essa época, o Brasil já vivia o processo de abertura política, comandada pelos militares ainda no poder. Em 10 de fevereiro de 1980, Lula fundou o partido dos trabalhadores (PT), juntamente com outros sindicalista, intelectuais, políticos e representantes de movimentos sociais, como lideranças rurais e religiosas. Nesse mesmo ano, nova greve dos metalúrgicos provocou a intervenção do governo federal no sindicato de São Bernardo e a prisão de Lula e de outros dirigentes sindicais com base na lei de segurança nacional. Foi 31 dias de prisão, situação agravada pelo falecimento de sua mãe. Lula liderou a organização do partido, que em 1982, já estava implantado em quase todo o território nacional. Disputou naquele ano o governo paulista e ficou em quarto lugar. Em agosto de 1983, fez parte do grupo fundador da CUT-Central Única dos Trabalhadores. Em 1984, participou, como uma das principais lideranças, da campanha das “Diretas Já”, que reivindicava a escolha direta para Presidente da República. Em 19861986, foi eleito o deputado federal mais votado do País para a Assembléia Nacional Constituinte, com 650.134 votos. O PT lançou Lula para disputar a Presidência da República em 1989, após 29 anos sem eleição direta para o cargo. Perdeu a disputa, no segundo turno, por pequena diferença de votos, mas dois anos depois liderou mobilização nacional contra a corrupção, que desembocou no “impeachment” do presidente Fernando Collor de Mello.

A chance real de vitória em 1989 animou os petistas, e Lula desembarcou na campanha seguinte, em 1994, como favorito até a metade do ano, até o lançamento do Plano Real. O par5rtido trocou de discurso em relação ao plano econômico e precisou também trocar de candidato a vice-presidente. Aloízio Mercadante substituiu José Paulo Bisol, senados do PSB gaúcho. Em agosto, Fernando Henrique Cardoso já ultrapassava Lula nas pesquisas. O tucano venceu no primeiro turno.Surgiu na campanha de 1994 uma das  comparações biográficas que mais enfureceram Lula. Em evento de que participava Ruth Cardoso, a empresária de teatro Ruth Escobar anunciou que os brasileiros teriam duas opções: ”Votar em Sartre ou escolher um encanador”. No bunker petista em São Paulo, para aliviar o clima, falava-se em injustiça não só com os encanadores, mas com o escritor francês Jean Paul Sartre. Lula não riu. Nos comícios seguintes, lançaria torpedos que continuariam ecoando dez anos depois, já na presidência da República: “A elite sabe que sou um vencedor. Uma criança nordestina que não morreu de fome até os cinco anos já venceu na vida. Um nordestino que desembarcou de um pau-de-arara, fugindo da seca, e não virou marginal é um vencedor. No meu governo, um filho de encanador vai disputar vaga na universidade com o filho de uma empresária de teatro como a senhora Ruth Escobar.”Em 1998, Lula voltou a se candidatar a Presidente da República e foi derrotado novamente por Fernando Henrique Cardoso, que capitalizou o receio de mudança de boa parte do eleitorado, tendo estreado a novidade da reeleição que fora aprovada pelo Congresso no mesmo ano.A partir de 1992. Lula atuou como conselheiro do Instituto de Cidadania, organização não governamental, criada após a experiência do Governo Paralelo, voltada para estudos, pesquisas, debates, publicações e principalmente formulação de propostas de políticas públicas nacionais, bem como promoção de campanhas de mobilização da sociedade civil rumo à conquista dos direitos de cidadania para todo o povo brasileiro. Na última semana de junho de 2002, a Convenção Nacional dom PT aprovou a formação de ampla aliança política (PT, PL., PC do B, PCB e PMN), que elaborou programas de governo para resgatar as dívidas sociais fundamentais que o Brasil tem com a grande maioria do seu povo.

 A abertura do leque de alianças para o PL., atraiu o voto dos empresários e dos evangélicos. Embalado por uma campanha eficiente na TV que explorava a imagem do “Lulinha paz e amor” , o petista manteve-se na dianteira nas pesquisas. O candidato a Vice-Presidente na chapa foi o senador José de Alencar, que se filiou ao do PL. de Minas Gerais especialmente para permitir a composição da chapa. José de Alencar era um veterano militante da esquerda brasileira, mas um grande capitalista, proprietário da maior indústria têxtil do Brasil. A dobradinha Lula/José de Alencar foi montada com o incentivo do marqueteiro Duda Mendonça: simbolizaria a união entre capital e trabalho, ao mesmo tempo em que juntaria dois “vencedores”, homens de origem humilde que triunfaram por seus próprios méritos, um como político, outro como empresário. Em 27 de outubro de 2002, aos 57 anos de idade, com quase 53 milhões de votos, Luiz Inácio Lula da Silva é eleito Presidente da República Federativa do Brasil vencendo José Serra (PSDB) no segundo turno por uma diferença superior a 19 milhões de votos. Após a posse, o presidente Lula  e sua equipe de governo deram início a uma série de transformações estruturais que encaminharam o país para encontrar-se com sue promissor destino.Apesar da reduzida instrução formal, ele foi distinguido com vários títulos de doutor “Honoris Causa” por renomadas Universidades norte-americanas e européias.Lula é casado desde 1974 com Marisa Letícia e tem cinco filhos.

DESENVOLVIMENTO:

Eleito presidente com 52,79 milhões de votos, o petista Luiz Inácio Lula da Silva foi saudado com as melhores expectativas pela esquerda brasileira e estrangeira. Era a quarta vez, em 2002, que enfrentava uma campanha pelo Palácio do Planalto, talvez a última, se perdesse. O historiador Eric Hobsbawn definiu a vitória do ex-sindicalista como “um dos poucos eventos do começo do século XXI que nos dá esperança para o resto do século”. Em Londres, em 14 de julho de 2003, o sociólogo Anthony Giddens manifestou o otimismo que o presidente transformasse não apenas o Brasil, mas “o mundo”.Por ora, sabe-se que o governo Lula mudou a história do Partido dos Trabalhadores, até então pautado pela bandeira da ética na política. Denúncias de corrupção e caixa dois acumularam-se na segunda metade do mandato, fazendo soar a palavra “impeachment”. Para espanto da oposição, os sucessivos meses de ataques em CPIs a parlamentares petistas, aliados e integrantes do governo federal não conseguiram abalar a preferência do eleitorado por Lula, estável em cerca de 40% das intenções de voto.Aos 60 anos, o petista está na quinta campanha para presidente. Pela primeira vez, vai rechear sua biografia na propaganda com o que fez e será cobrado pelo que deixou de fazer no poder. A aposta era alta, da parte do próprio Lula. “Qualquer outro presidente da República pode ser eleito e não fazer nada, que o povo já está acostumado, mas nós não temos esse direito, porque tem gente que carrega a nossa bandeira há 10, 20, 30 anos”, ele declarou em Fortaleza, em 24 de outubro de 2002. “Quero provar que metalúrgico é capaz de governar este país melhor do que a elite brasileira conseguiu nestes últimos cento e tantos anos de república”.

OS DISCURSOS DE LULA:

No primeiro discurso como presidente eleito, antes da posse, Lula privilegiou o tema do combate à fome. Três anos e meio depois, em 17 de maio de 2006, uma pesquisa do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) revelou que eram precisas as projeções de Lula, de dezenas de milhões de vítimas da falta de comida suficiente. Em 2004, somando-se as pessoas com insuficiência alimentar grave (as que passavam fome) e as que ficaram preocupadas em não ter alimentos, chegava-se a um contingente de 39,5 milhões de brasileiros. A história da mãe, Eurídice, e dos irmãos do Presidente viajando do Nordeste para o litoral paulista, em 1952, abastecido apenas com água, farinha e rapadura, é conhecida. Nas centenas de comícios e passeatas que fez em quatro campanhas presidenciais, em zonas urbanas e rurais, Lula era capaz de identificar crianças famintas sem necessidade de perguntas. A história de vida do metalúrgico e sindicalista que se elegeu presidente o separa dos antecessores e possivelmente dos sucessores. Essa clivagem reflete-se nos discursos, em especial nos improvisados. Em três de abril deste ano, na troca de ministros em preparação a campanha eleitoral, o presidente falou sobre pescadores e estádios de futebol.

Em 5 de maio, no auge da crise com a Bolívia, aproveitou a inauguração de uma linha turística de trem em Ouro Preto para revelar seus conhecimentos de cachaça mineira e citou as infidelidades conjugais de D. Pedro I. Na fala de Lula, esses temas ausentes nos discursos de José Sarney, Itamar Franco ou FHC surgem naturalmente, e estabelecem com a população laços que as denúncias e as ameaças de impeachment não conseguiram quebrar até agora. Na campanha até outubro, o candidato vai reforçar sua biografia com realizações de governo como o crescimento das exportações e do crédito para a população de baixa renda, a queda do risco Brasil, a diminuição do desemprego e da miséria, o aumento real do salário mínimo, as bolsas para estudantes carentes em universidades privadas. Lula tem quatro campanhas presidenciais de experiência em debates e décadas de negociação dura com os oponentes. Para os fugitivos da seca, as adversidades sempre estiveram por todos os lados, no chão estéril e no céu sem nuvens. Os primeiros problemas que cercavam o governo de FHC anteriormente referidos abriram brechas para que Lula chegasse ao poder com promessa de deixar um outro rumo a política brasileira.. O desenvolvimento econômico trazido pelo Plano Real tinha trazido grandes vantagens à população brasileira, entretanto, alguns problemas com o aumento do desemprego, o endividamento dos Estados e a má distribuição de renda manchavam o bloco governista.

Foi nesse contexto que Lula buscou o apoio de diversos setores políticos para empreender uma chapa eleitoral capaz de agradar diferentes setores da sociedade brasileira, pois, para ele, In Médio Virtus. No primeiro turno, a vitória de Lula sobre os demais candidatos não foi suficiente para lhe dar o cargo. Na segunda rodada da disputa, o ex-operário e retirante nordestino conseguiu realizar um feito histórico na trajetória política do país. Lula se tornou presidente do Brasil e sua trajetória de vida fazia com que diversas expectativas cercassem o seu governo. Seria a primeira vez que as esquerdas tomariam o controle da nação. No entanto o seu governo não se resume a essa simples mudança. Entre as primeiras medidas tomadas, o Governo lula anunciou um projeto social destinado a melhoria da alimentação das populações menos favorecidas. Estava lançada a campanha “Fome Zero”. Essa seria um dos diversos programas sociais que marcaram o seu governo, a ação política de Lula conseguiu empreender um desenvolvimento historicamente reclamado por diversos setores sociais. ”O Governo Lula foi uma importante etapa para a experiência democrática no país”. De certa forma, o fato de um partido formalmente considerado de esquerda ascender ao poder nos insere em uma nova etapa do jogo democrático nacional. A chegada de Lula pode dar fim a um pensamento político que excluía a chegada de novos grupos ao poder. A ênfase dada a projetos sociais caracteriza de forma geral, o governo de Lula.  

conclusão:

Sigmund Freud em “Psicologia das Massas e Análise do Eu” versa sobre processos fenomenológicos distintos da psique humana de forma abrangente e esclarecedora. Desta forma, identificamos na figura carismática do Presidente Lula frente ao eleitorado brasileiro, bem como da sua história de vida em comparação com sua trajetória política, a ocorrência daqueles. Participando de quatro eleições para presidência da República em um período em que os meios de comunicação têm significativa presença na sociedade, Lula teve sua figura política difundida na mídia, o que o tornou conhecido como poucos brasileiros. A figura política participa da sociedade do espetáculo (Debord, 1997) em meio aos astros do esporte da indústria do entretenimento. Muitas vezes estes personagens se identificam como demonstra LLOSA (2003) em artigo no qual analisa a eleição do astro do cinema norte-americano Arnold Schwarzenegger ao governo da Califórnia (EUA). Figura paradigmática de um tempo em que o discurso publicitário sobrepõe-se a outros discursos, o ‘Mr. “Bíceps”. Como o denomina Mário Vargas Llosa no artigo citado, migrou do espetáculo do entretenimento para o da política mantido este último subordinado ao publicitário (COELHO, 2002). Do entretenimento a política, ou, inversamente, desta àquele, como no caso do Lula, cultura e processos comunicacionais são “... mercadorias dominadas pela linguagem publicitária” (COELHO, 2002). Têm-se, a partir da configuração do fazer político como espetáculo organizado pelo marketing, a utilização dos meios de comunicação como principais instrumentos da construção dos discursos partindo da retórica política e incorporando o marketing político. Lula passou a ser astro de primeira grandeza no espetáculo político-midiático, o que pode ser verificado pelo destaque dado por todos os segmentos da indústria do entretenimento – cinema, jornalismo impresso e eletrônico e editorial – ao operário-presidente. Exemplo disso é a reportagem publicada no jornal Folha de S. Paulo na qual o Presidente da República é “astro pop” “Brasileiros no Japão tratam Lula como astro pop”. (Folha de S. Paulo, 29/05/2005, p A4). De outra forma, Lula tornou-se objeto de estudo para cientistas sociais e especialistas em mídia que realizaram pesquisas nesse sentido. No caso Luiz Inácio Lula da Silva, a mídia ao ressaltar traços familiares e da história de vida, identifica o personagem com a maioria dos brasileiros, é a cultura popular que mostra sua força, vencendo barreiras econômicas e sociais. As recentes campanhas publicitárias do governo Lula vão nesse sentido ao destacar que “ o melhor do Brasil são os Brasileiros”. O Brasil seria formado por um povo que “não desiste nunca”, imagens já apresentadas, com sentidos diversos, em obras literárias, cinematográficas e análises de cunho antropológico ou sociológico. Sob a ótica psicanalítica de Sigmund Freud, Lula conseguiu unir em torno de si próprio um considerável grupo psicológico tomado por  um senso comum, proporcionado principalmente, pelas características temporais/atemporal apresentadas pelo meio ambiental, bem como pela cobertura massiva da mídia televisiva, além do uso potencial da  iconografia. A sugestionabilidade proporcionada  de forma abrangente por essas “ferramentas” viabilizou o contágio de maioria do eleitorado, fazendo com que aflorassem  os seus impulsos instintuais inconscientes, levando-os a identificarem-se com o carismático Lula, conseqüência da manifestação da fase genital, latente. A fascinação desencadeada nesse processo resultou no desfecho final do pleito eleitoral com a vitória do hipnotizador, ou melhor, do líder Lula. É prudente registrar, que o grupo identificado com a liderança de Lula é fiel, abnegado, devotado e desprendido (sob a influencia da sugestão), grupo este, “sujeito ao poder mágico das palavras, que podem evocar as mais formidáveis tempestades na mente grupal, sendo também capazes de apaziguá-las” (ibid., 117). Luiz Inácio Lula da Silva utilizou-se da teoria preconizada por Le Bon: “Assim que seres vivos se reúnem em certo número, sejam eles u rebanho de animais ou um conjunto de seres humanos, se colocam instintivamente sob a influencia de um chefe” (ibid., 134). Lula utilizou sabiamente, o prestígio pessoal adquirido ao longo de mais de 40 anos de vida política para capitalizar os resultados atinentes a “homogeneidade mental” que caracteriza a mente grupal que se manifesta através da “exaltação ou intensificação da emoção”, pois, “Há razões que a razão desconhece” (Pasteur). Além disso, segundo Trotter, (..., a tendência para a formação de grupos é, biologicamente, uma continuação do caráter multicelular de todos os organismos superiores), em analogia a “concepção freudiana das relações humanas”. Finalmente, destaca-se a estratégia adotada pelo governo Lula quanto à manutenção do quadro político nacional, com ênfase em projetos sociais de envergadura propiciando o fortalecimento dos laços emocionais e da identificação do grupo, a coesão do grupo. Desta forma, a identificação do grupo para com o grupo, e com seu líder respectivamente, refletem um único ideal de ego; consequentemente a linearidade de pensamento e o juízo de realidade ficam evidenciados, ou seja, “criaturas individuais numa horda primeva conduzidas por um chefe”.

Bibliografia:

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