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segunda-feira, 24 de junho de 2013

PROPOSTA DE INOVAÇÃO - "RBVCE"

* INOVAÇÃO: CONCEITOS, METODOLOGIAS APLICABILIDADE. ARTICULANDO UM CONSTRUTO À FORMULAÇÃO DE POLÍTICAS PÚBLICAS – UMA REFLEXÃO SOBRE A LEI DE INOVAÇÃO
 DE MINAS GERAIS



Daniel Paulino Teixeira Lopes
Faculdade de Ciências Econômicas – UFMG
Allan Claudius Queiroz Barbosa
Faculdade de Ciências Econômicas – UFMG
  

* RESENHA:  Alexandre Derli de Araújo Silva

Diante de tudo o que foi exposto no texto de referência, objeto de análise, preliminarmente cabe alguma (outra), reflexão, de maneira que nos possibilite retro alimentar a dialética sobre inovação. Pois visto que, o tema abordado caracterizar-se pela heterogenia parcial ao longo do tempo histórico da sociedade moderna, bem como da sociedade pós-moderna, em última análise da sociedade do conhecimento contemplada no texto. Por que, segundo ¹ (Gusdorf, 1967, apud Chanlat) “O saber em geral e as ciências humanas em particular, têm sido submetidos até o presente às leis da divisão intelectual do trabalho e as ciências do comportamento organizacional não escaparam a esta regra. Tal dispersão do conhecimento teve por conseqüência, como todos sabem fechar os pesquisadores num mundo intelectual relativamente estreito e mesmo microscópico, tendo igualmente como conseqüência uma imagem fragmentada do ser humano”.

Além disso, por tratar-se ipsis litteris de inovação considerando-se todas as diversas transformações econômicas, sociais, conceituais, teóricas, políticas, tecnológicas, estruturais etc., já ocorridas e apresentadas no texto original, objeto dessa resenha, dos autores Daniel Paulino e Allan Claudius, por essas sociedades lato sensu, nada mais apropriado, portanto questionar: não será agora o momento adequado para redirecionarmos o centro (eixo de rotação), enquanto sociedade do conhecimento, no que se refere à inovação? Ou seja, trazer a luz, o norte da criatividade humana, por exemplo, para a inovação na educação, no marco legal, na inovação nos “meios empregados”, em sinergia com os fins adequados, efetivamente eficiente, e principalmente eficazes, frente aos direitos fundamentais, e da dignidade da pessoa humana, tratando-se evidentemente de uma abordagem atinente a “sociedade do conhecimento... inovadora”? Assim, outras contribuições aos estudos sobre inovações podem ser obtidas (...).  Pág.. 7.

Porque aquele modelo de inovação adotado, tão somente é, ² (...) descrito como linear, uma vez que assume, primeiramente, que os cientistas fazem as descobertas, depois os técnicos exploram o novo conhecimento e, finalmente, o fabricante desenvolve os novos produtos, (Boyle, 1984; Yarley,1988; David,1997 apud FLEURY Pág.. 95). Nesse contexto é possível identificar a carência ou até mesmo a ausência da sinergia necessária para o equilíbrio do binômio, quanti-quali que convirja em inovação identificada com a dialética existente entre a visão positivista ³ A ideia básica do positivismo é que o mundo social existe externamente ao homem, e que suas propriedades devem ser medidas através de métodos objetivos (ROESCH, Pág.. 122); e a visão antipositivista respectivamente. Tal concatenação se faz necessária e indispensável, se tratando de inovação em uma, “sociedade do conhecimento”. É possível notar que muitas das teorias discutidas neste trabalho apontam para distinções fundamentais em termos das formas de apreensão do fenômeno de interesse. É possível identificar um debate constante que nos bastidores da academia é chamado de "debate quali-quanti". Pág. 12

Logo, se com o passar dos tempos, ainda não conseguimos resolver problemas já de longa data, “no caso brasileiro, por exemplo, a universalização dos serviços públicos”, ou seja, torna-lo eficaz através da inovação na eficiência produtiva e na eficácia alocativa proporcionando então; maior e melhor justiça distributiva, “teoricamente” sem solução até o presente momento, o título de sociedade do conhecimento nos é apropriado? Nessa mesma linha ainda, que sociedade do conhecimento é a nossa que não consegue entender, por exemplo, que a produção numa economia de escala praticada por organizações, privadas (nacionais, transnacionais, etc.), bem como, a adoção de políticas públicas equivocadas (instituições públicas) tem resultado em última análise, numa “deseconomia” de escala como um todo propriamente dito? Visto que ações desenvolvidas no setor privado e público são interdependentes desde sempre? Que esse fato pode em certa medida ser decorrente de certa incapacidade de inovar considerando-se, por exemplo, a questão da distribuição da produção e a universalização dos serviços públicos como escopo, dentre outras variáveis não menos importantes?

Feedback - “Para o estudo da inovação, é notável que trabalhos na linha da teoria crítica e do pós-estruturalismo tenham grande potencial de contribuição, na medida em que inovações, principalmente aquelas de caráter radical ou de ruptura, surgem com a implementação de idéias diferentes, que não obedecem às verdades estabelecidas. Portanto, "não há inovação organizacional sem o desenvolvimento de um espírito crítico apurado que ouse desvendar outras interpretações para a realidade social, instaurando novas possibilidades de ações que permitam às pessoas exercerem sua autonomia e sua consciência de interdependência social" (DAVEL; ALCADIPANI, 2003, p. 82)”. Pág. 11

Além disso, ademais, seria também apropriado considerar também como um novo olhar, os estudos das Finanças comportamentais desenvolvidos até o momento. 4 (...) “apesar das diversas definições das Finanças Comportamentais há uma razoável concordância entre elas. LINTNER define como sendo os estudos de como os investidores interpretam e agem de acordo com a informação para fazer decisões de investimento”. THALER simplifica como ‘finanças open-minded’, argumentando que às vezes para achar a solução de um problema [financeiro] empírico, é necessário considerar a possibilidade de que alguns agentes na economia não se comportem de forma completamente racional todo o tempo. OLSEN sustenta que “as Finanças Comportamentais não tentam definir o comportamento racional ou irracional, mas sim entender e predizer os processos de decisão psicológicos que implicam na sistemática dos mercados financeiros”. É possível perceber na literatura, ainda, outras abordagens que podem contribuir de uma forma diferenciada para a construção do conhecimento científico, inclusive nos trabalhos sobre inovação, conforme identifica Wolfe (1994, p. 420-421). Pág. 16

5 “Nesse novo cenário mundial o Brasil deverá desempenhar um papel cada vez mais relevante, tanto nas questões que envolvem a sua presença na economia mundial como na proteção do meio-ambiente. Por sua vez essas mudanças são acompanhadas de oportunidades, desafios e de incertezas. A superação desses desafios, tendo como referência a necessidade de promover a inclusão, reduzir a desigualdade e a instabilidade no crescimento econômico no Brasil, exige o fortalecimento da Administração Pública e da boa governança. Essas mudanças são essenciais para viabilizar a parceria  entre o setor público, o setor privado e o terceiro setor.”(PEREIRA, – p. 244). Uma questão subjacente que mereceria ser respondida preliminarmente a iniciativas como essa seria: inovação para quê ou para quem? Pág. 21

Por isso, o desenvolvimento de uma teoria que inclua, por exemplo, VBR, Hermenêutica, antimanagement, finanças comportamentais, etc. culminando talvez no que me ocorreu chamar num primeiro momento de, RBVCE, ou seja, Recursos Baseados em Visões do Conhecimento Eficaz, me venho à luz! Mas essa é outra história! “O debate teórico sobre inovação, se abre muitas perspectivas e possibilidades de entendimento, parece não encontrar eco em sua plenitude no arranjo legal em tela. Com efeito, a Lei de Inovação de Minas Gerais, embora se constitua em um efetivo instrumento de fortalecimento de iniciativas com amparo institucional, ainda deixa lacunas em pontos relevantes, sendo as principais o tipo de inovação incentivado e os setores da economia abrangidos pela lei. O preenchimento dessas e outras lacunas poderá, de fato, habilitar as organizações mineiras a alcançar novos patamares de competitividade nacional e internacional com base na inovação”. Pág. 21

“O setor público diferentemente do setor privado, não escolhe os seus clientes, mas necessita melhorar os seus sistemas de planejamento para identificar de forma clara as demandas e necessidades de cada segmento da população. Essa transformação da Administração Pública requer mudanças estruturais, de regras e processos, medidas efetivas para criar novos sistemas de valores. O sucesso desse novo modelo de gestão deve-se ressaltar, passa pelo interesse de cada organização e de cada servidor de atingir esses objetivos. Isso exige que tanto a instituição como o servidor tenha uma postura mais flexível, criativa e empreendedora. Por sua vez, as diferenças de desempenho e de alcance de resultados precisam ser valorizadas na Administração Pública”   JOSÉ MATHIAS PEREIRA Pág.248


REFERENCIAS:

¹ CHANLAT, Jean, François - POR UMA ANTROPOLOGIA DA CONDIÇÃO HUMANA NAS ORGANIZAÇÕES – Artigo - Título Original: Vers une anthopologie de l’organization – Tradução: Ofélia de Lanna Sette Tôrres.

² FLEURY, Maria, Tereza, Leme; OLIVEIRA JR, Moacir, de Miranda – (organizadores) - GESTÃO ESTRATÉGICA DO CONHECIMENTO – Integrando Aprendizagem, Conhecimentos e Competências – São Paulo – Atlas – 2001 - 3ª tiragem - 2004.

4  LIMA, Valverde, Murillo - UM ESTUDO SOBRE FINANÇAS COMPORTAMENTAIS – RAE - eletrônica, Volume 2, Número 1, jan. - jun./2003.

5 PEREIRA, JOSÉ-MATHIAS – Curso de Administração Pública – FOCO NAS INSTITUIÇÕES E AÇÕES GOVERNAMENTAIS – 3ª Edição Revista e Atualizada – São Paulo -  Ed. Atlas. 2010

³ ROESCH, Sylvia Maria, Azevedo – PROJETOS DE ESTÁGIO E DE PESQUISA EM ADMINISTRAÇÃO – Guias para Estágios, Trabalhos de Conclusão, Dissertações e Estudos de Caso – 3ª Edição – Ed. Atlas -  Colaboração:Grace Vieira Becker; Maria Ivone de Mello. 

http://www.rae.com.br/eletronica/index.cfm?FuseAction=Artigo&ID=1873&Secao=2ºPWC&Volume=2&Numero=1&Ano=2003






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