* INOVAÇÃO:
CONCEITOS, METODOLOGIAS APLICABILIDADE. ARTICULANDO UM CONSTRUTO À FORMULAÇÃO
DE POLÍTICAS PÚBLICAS – UMA REFLEXÃO SOBRE A LEI DE INOVAÇÃO
DE MINAS GERAIS
Daniel Paulino
Teixeira Lopes
Faculdade de Ciências
Econômicas – UFMG
Allan Claudius
Queiroz Barbosa
Faculdade de Ciências Econômicas – UFMG
* RESENHA: Alexandre
Derli de Araújo Silva
Diante de tudo o que foi exposto no texto de
referência, objeto de análise, preliminarmente cabe alguma (outra), reflexão,
de maneira que nos possibilite retro alimentar a dialética sobre inovação. Pois
visto que, o tema abordado caracterizar-se pela heterogenia parcial ao longo do
tempo histórico da sociedade moderna, bem como da sociedade pós-moderna, em
última análise da sociedade do conhecimento contemplada no texto. Por que, segundo
¹ (Gusdorf, 1967, apud Chanlat) “O saber em geral e as
ciências humanas em particular, têm sido submetidos até o presente às leis da
divisão intelectual do trabalho e as ciências do comportamento organizacional
não escaparam a esta regra. Tal dispersão do conhecimento teve por
conseqüência, como todos sabem fechar os pesquisadores num mundo intelectual
relativamente estreito e mesmo microscópico, tendo igualmente como conseqüência
uma imagem fragmentada do ser humano”.
Além disso, por tratar-se ipsis litteris de inovação
considerando-se todas as diversas transformações econômicas, sociais,
conceituais, teóricas, políticas, tecnológicas, estruturais etc., já ocorridas e
apresentadas no texto original, objeto dessa resenha, dos autores Daniel Paulino e Allan Claudius, por essas sociedades
lato sensu, nada mais apropriado,
portanto questionar: não será agora o momento adequado para redirecionarmos o
centro (eixo de rotação), enquanto sociedade do conhecimento, no que se refere à
inovação? Ou seja, trazer a luz, o norte da criatividade humana, por exemplo, para
a inovação na educação, no marco legal, na inovação nos “meios empregados”, em sinergia
com os fins adequados, efetivamente eficiente, e principalmente eficazes,
frente aos direitos fundamentais, e da dignidade da pessoa humana, tratando-se
evidentemente de uma abordagem atinente a “sociedade do conhecimento...
inovadora”? Assim,
outras contribuições aos estudos sobre inovações podem ser obtidas (...). Pág.. 7.
Porque aquele modelo de inovação adotado, tão somente é, ² (...) descrito como linear, uma vez que assume, primeiramente,
que os cientistas fazem as descobertas, depois os técnicos exploram o novo
conhecimento e, finalmente, o fabricante desenvolve os novos produtos, (Boyle,
1984; Yarley,1988; David,1997 apud FLEURY Pág.. 95). Nesse contexto é possível
identificar a carência ou até mesmo a ausência da sinergia necessária para o
equilíbrio do binômio, quanti-quali que convirja em inovação identificada com a
dialética existente entre a visão positivista ³ A ideia básica do positivismo é que o mundo social existe
externamente ao homem, e que suas propriedades devem ser medidas através de
métodos objetivos (ROESCH, Pág.. 122); e a visão antipositivista respectivamente.
Tal concatenação se faz necessária e indispensável, se tratando de inovação em
uma, “sociedade do conhecimento”. É possível notar que
muitas das teorias discutidas neste trabalho apontam para distinções
fundamentais em termos das formas de apreensão do fenômeno de interesse. É
possível identificar um debate constante que nos bastidores da academia é
chamado de "debate quali-quanti". Pág.
12
Logo, se com o passar dos tempos,
ainda não conseguimos resolver problemas já de longa data, “no caso brasileiro,
por exemplo, a universalização dos serviços públicos”, ou seja, torna-lo eficaz
através da inovação na eficiência produtiva e na eficácia alocativa
proporcionando então; maior e melhor justiça distributiva, “teoricamente” sem
solução até o presente momento, o título de sociedade do conhecimento nos é
apropriado? Nessa mesma linha ainda, que sociedade do conhecimento é a nossa
que não consegue entender, por exemplo, que a produção numa economia de escala
praticada por organizações, privadas (nacionais, transnacionais, etc.), bem
como, a adoção de políticas públicas equivocadas (instituições públicas) tem
resultado em última análise, numa “deseconomia” de escala como um todo propriamente
dito? Visto que ações desenvolvidas no setor privado e público são
interdependentes desde sempre? Que esse fato pode em certa medida ser
decorrente de certa incapacidade de inovar considerando-se, por exemplo, a
questão da distribuição da produção e a universalização dos serviços públicos
como escopo, dentre outras variáveis não menos importantes?
Feedback - “Para
o estudo da inovação, é notável que trabalhos na linha da teoria crítica e do
pós-estruturalismo tenham grande potencial de contribuição, na medida em que
inovações, principalmente aquelas de caráter radical ou de ruptura, surgem com
a implementação de idéias diferentes, que não obedecem às verdades
estabelecidas. Portanto, "não há inovação organizacional sem o
desenvolvimento de um espírito crítico apurado que ouse desvendar outras
interpretações para a realidade social, instaurando novas possibilidades de
ações que permitam às pessoas exercerem sua autonomia e sua consciência de interdependência
social" (DAVEL; ALCADIPANI, 2003, p. 82)”. Pág. 11
Além disso, ademais, seria também apropriado
considerar também como um novo olhar, os estudos das Finanças
comportamentais desenvolvidos até o momento. 4 (...) “apesar das diversas definições das Finanças
Comportamentais há uma razoável concordância entre elas. LINTNER define como
sendo os estudos de como os investidores interpretam e agem de acordo com a
informação para fazer decisões de investimento”. THALER simplifica como ‘finanças
open-minded’, argumentando que às vezes para achar a solução de um problema
[financeiro] empírico, é necessário considerar a possibilidade de que alguns
agentes na economia não se comportem de forma completamente racional todo o
tempo. OLSEN sustenta que “as Finanças Comportamentais não tentam definir o
comportamento racional ou irracional, mas sim entender e predizer os processos
de decisão psicológicos que implicam na sistemática dos mercados financeiros”. É possível perceber na literatura, ainda, outras
abordagens que podem contribuir de uma forma
diferenciada para a construção do conhecimento científico, inclusive nos
trabalhos sobre inovação, conforme identifica Wolfe (1994, p. 420-421). Pág. 16
5 “Nesse novo cenário mundial o Brasil deverá desempenhar um papel cada
vez mais relevante, tanto nas questões que envolvem a sua presença na economia
mundial como na proteção do meio-ambiente. Por sua vez essas mudanças são
acompanhadas de oportunidades, desafios e de incertezas. A superação desses
desafios, tendo como referência a necessidade de promover a inclusão, reduzir a
desigualdade e a instabilidade no crescimento econômico no Brasil, exige o
fortalecimento da Administração Pública e da boa governança. Essas mudanças são
essenciais para viabilizar a parceria
entre o setor público, o setor privado e o terceiro setor.”(PEREIRA, –
p. 244). Uma questão subjacente que
mereceria ser respondida preliminarmente a iniciativas como essa seria:
inovação para quê ou para quem? Pág.
21
Por
isso, o
desenvolvimento de uma teoria que inclua, por exemplo, VBR, Hermenêutica, antimanagement, finanças comportamentais, etc. culminando talvez no que me
ocorreu chamar num primeiro momento de, RBVCE, ou seja, Recursos Baseados em Visões
do Conhecimento Eficaz, me venho à luz! Mas essa é outra história! “O debate
teórico sobre inovação, se abre muitas perspectivas e possibilidades de
entendimento, parece não encontrar eco em sua plenitude no arranjo legal em tela. Com efeito, a Lei
de Inovação de Minas Gerais, embora se constitua em um efetivo instrumento de
fortalecimento de iniciativas com amparo institucional, ainda deixa lacunas em
pontos relevantes, sendo as principais o tipo de inovação incentivado e os
setores da economia abrangidos pela lei. O preenchimento dessas e outras lacunas poderá, de
fato, habilitar as organizações mineiras a alcançar novos patamares de
competitividade nacional e internacional com base na inovação”. Pág. 21
“O setor público diferentemente do
setor privado, não escolhe os seus clientes, mas necessita melhorar os seus
sistemas de planejamento para identificar de forma clara as demandas e
necessidades de cada segmento da população. Essa transformação da Administração
Pública requer mudanças estruturais, de regras e processos, medidas efetivas
para criar novos sistemas de valores. O sucesso desse novo modelo de gestão
deve-se ressaltar, passa pelo interesse de cada organização e de cada servidor
de atingir esses objetivos. Isso exige que tanto a instituição como o servidor
tenha uma postura mais flexível, criativa e empreendedora. Por sua vez, as
diferenças de desempenho e de alcance de resultados precisam ser valorizadas na
Administração Pública” JOSÉ
MATHIAS PEREIRA Pág.248
REFERENCIAS:
¹ CHANLAT, Jean, François - POR
UMA ANTROPOLOGIA DA CONDIÇÃO HUMANA NAS ORGANIZAÇÕES – Artigo - Título
Original: Vers
une anthopologie de l’organization –
Tradução: Ofélia de Lanna Sette Tôrres.
² FLEURY, Maria, Tereza, Leme; OLIVEIRA JR, Moacir, de Miranda –
(organizadores) - GESTÃO ESTRATÉGICA DO
CONHECIMENTO – Integrando Aprendizagem, Conhecimentos e Competências – São
Paulo – Atlas – 2001 - 3ª tiragem - 2004.
4 LIMA, Valverde, Murillo - UM ESTUDO SOBRE FINANÇAS COMPORTAMENTAIS – RAE - eletrônica, Volume 2, Número 1, jan. - jun./2003.
5 PEREIRA, JOSÉ-MATHIAS – Curso de Administração Pública – FOCO NAS INSTITUIÇÕES E AÇÕES GOVERNAMENTAIS – 3ª Edição Revista e Atualizada – São Paulo - Ed. Atlas. 2010
³ ROESCH, Sylvia Maria, Azevedo – PROJETOS DE ESTÁGIO E DE PESQUISA EM
ADMINISTRAÇÃO – Guias para Estágios,
Trabalhos de Conclusão, Dissertações e Estudos de Caso – 3ª Edição – Ed. Atlas
- Colaboração:Grace Vieira Becker; Maria
Ivone de Mello.
http://www.rae.com.br/eletronica/index.cfm?FuseAction=Artigo&ID=1873&Secao=2ºPWC&Volume=2&Numero=1&Ano=2003
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